Mirem-se no exemplo daqueles meninos da Catalunha
28/05/2011 Deixe o seu comentário
Os dois melhores times europeus (quem sabe do planeta também) chegaram ao estádio de Wembley, em Londres, Inglaterra com o melhor de seu plantel e a chance de sagrar-se tetracampeões do torneio. Sem favoritos a final trazia o vistoso futebol do Barcelona de Lionel Messi, Xavi, Inesta, David Villa e Daniel Alves contra a eficiência do invicto Manchester United de Sir Alex Ferguson, Wayne Rooney e companhia. Era imprevisível, apesar do time catalão levar uma vantagem pela qualidade técnica de sua equipe. Se o time inglês aposentaria seu goleiro neste jogo, as 40 anos van der Sar se despede dos gramados, o Barcelona não contava com o seu jogador símbolo, o zagueiro Puyol, que estava na reserva e sentiu dores antes da partida.
Quando árbitro húngaro Viktor Kassai apitou o inicio de jogo na Inglaterra o Manchester começou pressionado o adversário e rondando a área do goleiro Valdés. Os primeiros minutos do time “da casa” mostraram que o United estava com toda disposição para devolver a derrota de 2009, quando perdeu em Roma para o mesmo Barcelona. Mas o time espanhol também chegava, como na tabela entre Villa e Messi, quando o argentino chegou atrasado para completar o último passe, mas não imprimia o ritmo de jogo que está acostumado, com maior posse de bola e ataques regulares. O sistema de marcação dos times funcionava bem e evitava que jogadas mais perigosas terminassem em gol. Mais aí entrou em cena a genialidade dos dois lados. Primeiro com os “visitantes”. Xavi encontrou Pedro na área e passou para o atacante que mandou para as redes com o goleiro holandês já batido. 1 a 0 para o Barcelona, aos 21. O Manchester devolveu na mesma moeda e doze minutos depois, em tabela do Giggs e Rooney, o 11 dos Diabos Vermelhos deu a assistência para o atacante inglês mandar no ângulo do goleiro espanhol. O Barcelona tinha a maior posse de bola e tentava ainda no primeiro retomar a vantagem no placar. Iniesta, depois de bate-rebate, chutou forte de fora da área e o van der Sar defendeu.
Na volta para o segundo tempo o Barcelona teve um comportamento inverso a etapa inicial e começou melhor na partida. Encurralando o time adversário, a equipe catalã contou com uma atuação inspirada de Messi para levantar o título. Aos 8 minutos o argentino costurou a zaga e de fora da área finalizou sem chance para van der Sar. Golaço. Para evitar o terceiro gol o lateral Fábio foi para a dividida e acabou levando a pior se machucando no lance. O português Nani entrou no lugar do jogador e Valencia foi recuado para a lateral. Messi ainda teve outra oportunidade de sacramentar a vitória do time catalão, mas o goleiro do Manchester estava lá para evitar o tento. O Manchester apostava nos contra-ataques, mas com Chicharito apagado no jogo e com o time bem marcado, a equipe inglesa não aproveitou os momentos em que tinha a posse de bola no ataque.
Diferente do Barcelona que tratou de definir a partida. Aos 23 Messi mais uma vez passou pela marcação dos adversário, foi bloqueado pelo último homem e a bola sobrou para Pedro que rolou para trás e Villa, em chute colocado mandou para as redes. Balde de água polar nas pretensões do Manchester que não conseguia mais nada no jogo. Ao Barcelona foram 25 minutos para segurar a vantagem. Aos 44, Guardiola presenteou o time e torcida do Barcelona, colocando Puyol para capitanear o time em campo para levantar o troféu, como manda tradição, mas surpresas viriam. O melhor Barcelona da história, incontestavelmente, tornou-se o time que mais venceu a Liga do Campeões neste século, que já assistiu dez finais e por três vezes o Barcelona pôs a mão na taça, que na noite desta sábado foi erguida pelo lateral Abidal, homenageado pela recuperação após a retirada de um tumor no fígado meses atrás. 
Quem saiu campeão também foi o futebol. Qualquer time que levantasse o troféu seria com méritos. O Manchester se rendeu ao futebol do time espanhol. O Barcelona não quis ser vitima da eficiência mancuniana e tratou de mostrar que por muito tempo será o time a ser batido. Lionel Messi, artilheiro da UCL com 12 gols mostrou por que Sneijder, tão reclamado pela imprensa como melhor do mundo em 2010, perdeu este posto para o argentino. O 10 blaugraná é de uma regularidade impressionante. Não há queda de rendimento, não há curvas descendentes. Quando esse menino veste as cores azul e grená vira uma máquina. Se com as tonalidades branco e azul-celeste ele fosse a mesma coisa, a seleção argentina, juntando outros craques, seria um blockbuster, um arrasa-quarteirão sem precedente. Berlim receberá a próxima final. Veremos mais vez o Barcelona por lá? Ou o time será aparado com foi em 2010? Para o bem do futebol, torcemos para que o Barça continue operando na potência máxima.
FICHA TÉCNICA
BARCELONA 3 X 1 MANCHESTER UNITED
Local: Estádio de Wembley, em Londres (Inglaterra)
Data: 28/05/2011 (sábado)
Horário: 15h45 (de Brasília)
Árbitro: Viktor Kassai (Hungria)
Auxiliares: Gabor Eros e Gyorgy Ring (ambos da Hungria)
Gols: Pedro (Barcelona), aos 21; Rooney (Manchester United), aos 33 minutos do primeiro tempo; Messi (Barcelona), aos 8, e David Villa (Barcelona), aos 24 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Daniel Alves e Valdés (Barcelona); Carrick e Valencia (Manchester United).
Público: 87.695 pessoas
Barcelona: Valdés, Daniel Alves (Puyol), Piqué, Mascherano e Abidal; Busquets, Xavi e Iniesta; Messi, Pedro (Affelay) e David Villa (Keita). Técnico: Josep Guardiola.
Manchester United: van der Sar, Fábio (Nani), Vidic, Ferdinand e Evra; Valencia, Carrick (Scholes), Giggs e Park; Wayne Rooney e Chicarito Hernández. Técnico: Alex Ferguson.









